20.10.06
A política americana é para mim um fascínio por uma razão, The West Wing, mas claro que aquilo não é a política americana, é uma visão do que a política poderia ser e do que alguns políticos são.
Entretanto descobri um anúncio, um espaço de tempo de antena de um dos meus actores favoritos, Bradley Whitford, o Josh de The West Wing. Já é de 2004, mas é delicioso. Foi durante as presidenciais, e vejam como é que eles construíram a crítica a Bush!
Brilhante.

</object>'>B
publicado por wherewego às 11:31

Já aqui postei um ou outro videoclip de folk metal. Há algumas coisas muito interessantes, outras um pouco estranhas. Aqui fica mais uma banda, desta vez, finlandesa.
Ouçam, o álbum Troll, para mim o mais interessante.

</object>'>Alvis
publicado por wherewego às 11:11


– Falcão, Deus não existe. Ele é uma invenção espectacular do cérebro humano para suportar as limitações da vida. Desculpe-me, mas para mim, a ciência é o deus do ser humano.
Numa reacção surpreendente, Falcão levantou-se. Subiu para um banco da praça e começou a chamar todos os que por ali passavam. Com gestos histriónicos, bradava:
-Venham! Aproximem-se! Vou mostrar-lhes Deus!
Num instante, reuniu um grupo.
Marco Polo ficou apavorado. Nunca vira Falcão reagir assim. Tentava acalmá-lo, sem êxito. Ele continuava a gritar:
-Deus está aqui! Acreditem! Vocês ficarão perplexos ao vê-lo.
Marco Polo achava que Falcão entrara num repentino surto psicótico, estava a ter uma alucinação. Procurava ansiosamente pegar no seu braço para que ele se sentasse. De repente, Falcão calou-se. Estendeu as duas mãos para Marco Polo e disse em altos brados:
-Eis Deus aqui em carne e osso!
Marco Polo ficou assustado. Um burburinho reinou entre os que o ouviam.
-Acreditem! Este jovem é Deus! Porque afirmo isto? Porque ele acabou de me dizer que Deus não existe, que é um mero fruto do nosso cérebro! Vejam só! Se este jovem não conheceu os inumeráveis fenómenos dos tempos passados, se ele nunca percorreu os biliões de galáxias com os seus triliões de segredos, se ele não desvendou como ele mesmo consegue entrar no seu cérebro e construir os seus complexos pensamentos, e apesar de todas essas limitações, ele afirma que Deus não existe, a conclusão a que cheguei, meus amigos, é que este jovem tem de ser Deus. Pois só Deus pode ter tal convicção!
A multidão ficou boquiaberta. O discurso do indigente era tão inteligente que esfacelou não só a soberba de Marco Polo, mas o orgulho das pessoas que o ouviram. O jovem amigo ficou vermelho e espantado.
Falcão desceu do banco e sentou-se. Desembrulhou uma sanduíche e começou a saboreá-la. Com a boca cheia, disse a Marco Polo:
-Sabe que sabor tem esta sanduíche?
Marco Polo, envergonhado, meneou a cabeça dizendo que não.
Falcão prosseguiu:
-Se não tem segurança para falar de algo tão próximo e visível, não fale convictamente sobre algo tão distante e inatingível. Não é sensato.
O jovem ficou bloqueado. Pela primeira vez não encontrou qualquer frase para rebater. Disse apenas:
- Não precisava de exagerar.
Falcão retrucou:
- Se você disser apenas que é ateu, que não acredita em Deus, a sua atitude é respeitável, pois reflecte a sua opinião e convicção pessoal. Mas dizer que Deus não existe é uma ofensa à inteligência, pois reflecte uma afirmação irracional. Não seja como alguns meninos da teoria da evolução.
-Como assim? – perguntou intrigado Marco Pólo.
-Alguns filósofos acham que certos teóricos da evolução possuem uma arrogância insana. Não estou a criticar as hipóteses da evolução biológica, mas a arrogância científica sem alicerces. Vários desses cientistas negam veemente a ideia de Deus apenas porque se apoiam em alguns fenómenos da sua teoria. Como você, esquecem-se que desconhecem biliões de outros fenómenos que tecem os segredos insondáveis do teatro da existência. São meninos que brincam com a ciência, construindo o seu orgulho sobre a areia.
Marco Polo ficou abalado com a ousadia, com o raciocínio esquemático e a criatividade de Falcão. Os darwinistas eram intelectuais reverenciados. Nunca ouvira ninguém fazer-lhes uma crítica tão contundente, a não ser os religiosos. Falcão tinha trazido a discussão desse delicadíssimo tema não para o campo da religiosidade, mas para o campo dos limites e alcances da própria ciência.
Marco Polo tentou organizar o seu pensamento e perguntou:
- Mas não são os evolucionistas respeitados pela comunidade científica?
- São respeitados, mas, para mim, estão aprisionados no cárcere da biologia. Sem romper esse cárcere e abraçar o terreno das ideias da filosofia, serão redutores e não expansores do conhecimento. Precisam de seguir o caminho de Einstein.
- Como assim?
- Einstein disse que a imaginação é mais importante do que o conhecimento. Ele brilhou porque amava a filosofia. Não tinha um cérebro privilegiado como muitos ingénuos cientistas pensavam. Tinha uma imaginação privilegiada. Quando desenvolveu os pressupostos da sua teoria, era um jovem de 27 anos. Tinha menos cultura académica do que muitos universitários da actualidade. Mas porque brilhou ele, enquanto os universitários são opacos? Brilhou porque usou a arte da dúvida, libertou a sua criatividade, aprendeu a pensar com imagens.
A partir deste comentário, Marco Pólo interessou-se pela história de Einstein. Passou a estudá-la.
-Einstein era ousado, queria conhecer a mente de Deus – completou.
Falcão, não era menos ousado, passava a vida a tentar desvendá-Lo à sua maneira. Ele amava Deus, mas não era religioso nem defendia uma religião. Considerava que só um deslumbrante Artista, capaz de ultrapassar os limites da nossa imaginação, poderia ser o Autor do próprio imaginário humano e de toda a existência.
Contou-lhe que ele e o Poeta aprenderam a procurar e a relacionar-se com Deus nas suas misérias psíquicas, e que este relacionamento foi um dos segredos que os levaram a suportar as suas perdas e a oxigenar o seu sentido de vida. Assim, sobreviveram ao caos. Para eles, cada ser humano, em especial os cientistas, deveria posicionar-se como eterno aprendiz. E rematou:
- A sabedoria de um ser humano não está no quanto ele sabe, mas no quanto ele tem consciência de que não sabe. Você tem essa consciência?
Após uma pausa, Marco Polo disse, pensativo:
-Creio que não.
- O que define a nobreza de um ser humano é a sua capacidade de ver a sua pequenez. Você vê-a?
-Estou a tentar – disse Marco Polo, ameaçado pela inteligência dó filósofo.
-Nunca deixe de tentar.
Em seguida, Falcão fez um momento de silêncio. Ponderou as suas atitudes e teve coragem de pedir desculpa a Marco Polo pela situação constrangedora por que o fizera passar.
-Desculpe-me. Às vezes, acho que algumas das minhas reacções são sequelas do meu passado, da minha doença..
-Por favor, não se desculpe. Eu é que fui estúpido, arrogante.
Vendo que o jovem Marco Polo reflectia sobre os mistérios da existência, Falcão acrescentou:
-Você pode duvidar de que Deus existe, mas Deus não duvida de que você existe. É nisso que creio.
Marco Polo ficou inquieto. Esfregou as duas mãos no rosto. Suspirou, colocou a mão no queixo, apoiou o cotovelo sobre a coxa como um pensador e perguntou:
O que pensavam os filósofos a respeito de Deus?
-Lembre-se do que eu lhe disse: muitos filósofos acreditavam na metafísica. Eles não tinham medo de argumentar e discutir a respeito de Deus. A ciência tem medo de debater sobre Ele por receio de pender para uma religião e perder a individualidade. Nós não sabemos quase nada sobre a caixa de segredos da existência. Milhões de livros são uma gota no oceano. Lembre-se, somos uma grande pergunta à procura de uma resposta nos poucos anos de vida.
-Mas filósofos como Marx, Nietzsche e Sartre foram ateus.
Falcão fitou vagarosamente o amigo e, como se estivesse iluminado, disse:
-Há dois tipos de Deus: um Deus que criou os homens, e outro que os homens criaram. Para mim, esses filósofos não acreditavam no Deus criado pelos homens. Eles foram contra a religiosidade da sua época, que dilacerava os direitos humanos, mas não são ateus puros. Todavia, não posso falar por eles.
O jovem pensou e inquiriu:
-Quem somos? O que somos? Para onde vamos?
-Frequentemente, faço-me tais perguntas. Quanto mais as faço, mais me perco e, quanto mais me perco, mais procuro achar-me.
Em seguida, Falcão emendou:
-Olhe para as pessoas à nossa volta. O que vê?
-Pessoas de fato, mulheres bem vestidas, jovens a exibir os seus ténis, adolescentes a pentear o cabelo, enfim, pessoas que passam.
-A maioria dessas pessoas vive porque respira. Já não perguntam «quem são», «o que sou». Estão entorpecidas pelo sistema. O ser humano actual não ouve o grito da sua maior crise. Cala a sua angústia porque tem medo de se perder num emaranhado de dúvidas sobre o seu próprio ser. No começo do século XX, a ciência prometeu ser o deus do Homo Sapiens e responder a essas perguntas. Mas ela traiu-nos.
-Porque é que nos traiu?
-Primeiro, porque não desvendou quem somos; continuamos a ser um enigma, uma gota que por um instante aparece e logo se dissipa no palco da existência. Segundo, porque, apesar do salto na tecnologia, ela não resolveu os problemas humanos fundamentais. A violência, a fome, a discriminação, a intolerância e as misérias psíquicas não foram debeladas. A ciência é um produto do ser humano e não um deus do ser humano. Use-a e não seja usado por ela.
Ao esquadrinhar a sua inteligência, Marco Polo confessou honestamente:
-O orgulho é um vírus que contagia a minha mente.
-Contagia todos. Até um psicótico tem ideias de grandeza.
-Será que é possível destruir o orgulho?
-Não creio. A nossa maior tarefa é controlá-lo.
Para finalizar a complexa aula, voltou-se para o jovem amigo e completou:
-A sabedoria de um ser humano não é definida pelo quanto ele sabe, mas pelo quanto ele tem consciência de que não sabe…
in Cury, Augusto - A vida de um pensador
publicado por wherewego às 11:02

Semana de loucos...sem tempo para escrever muita coisa e algumas vezes.
Ainda que tenha computador no trabalho (não entro no blogger, talvez cookies? Não sei.) nem textos tenho conseguido escrever no pc.
Depois, há a questão do horário. Quem me conhece sabe que prefiro levantar-me de manhã. Mas, no horário presente começo as aulas por volta do meio-dia e saio às 22h30, o que faz com que só consiga escrever e publicar alguns textos perto da meia noite. Às vezes, estou demasiado extenuado para o fazer...
Enfim, novos tempos, a mesma vontade de sempre, nem sempre a mesma capacidade.
Abraço e beijinhos.
publicado por wherewego às 10:56

18.10.06
Pode-se ler no site do Público:
O secretário de Estado Adjunto da Indústria e da Inovação, António Castro Guerra, afirmou hoje que a culpa do aumento de 15,7 por cento no preço da electricidade em 2007 é dos consumidores, porque "este défice tem de ser pago por quem o gerou".
Até este ano, a lei impedia uma actualização dos preços acima da inflação, o que deu origem a um défice tarifário que, na opinião de Castro Guerra, "só pode ser imputado aos consumidores"."São os consumidores que devem este dinheiro. Não é mais ninguém", declarou o governante à rádio TSF. "Este défice tem de ser pago por quem o gerou" (...)


E fiquemos por aqui. A minha pergunta é, se a lógica é para ser seguida? E se a lógica do ministro tem sentido?
Quantas vezes os contribuintes pagam aquilo que o Estado quer? Temos nós tido alguma força no que se deve ou não pagar? Olhando para o presente a resposta é não.
Mas, pegando no argumento porque é que eu hei-de pagar o buraco da Segurança Social? Não fui eu que o gerei. Porque hei-de pagar o desastre das contas da Função Pública? Não fui eu que o gerei.
Querem aumentar as tarifas, dar mais contas aos portugueses para pagar? Façam-no.
Mas, se não têm razões lógicas (se precisam de dinheiro), admitam-no, agora utilizar filosofia barata...
Porque é que eu tenho de aturar a diarreia verbal barata do Senhor Secretário de Estado Adjunto da Indústria e da Inovação?
Não fui eu que o gerei....

publicado por wherewego às 23:47

A grande maioria dos seus colegas de turma tinha medo de expor as suas dúvidas e críticas. Ele, pelo contrário, embora procurasse ser educado, não suportava ficar calado. Causava agitação na sala de aula devido à sua ousadia de interrogar os professores. Estes ficavam aflitos diante dele, pois estavam preparados para ministrar aulas a uma plateia passiva.

in Cury, Augusto - A vida de um pensador
publicado por wherewego às 23:43

-Muitos pais morrem sem nunca terem coragem de dizer essas palavras aos filhos. Esquecem-se das coisas mais simples.
-É verdade. Tropeçamos nas pequenas pedras e não nas grandes montanhas.
in Cury, Augusto - A vida de um pensador
publicado por wherewego às 23:41

17.10.06
Durante o fim de semana encontrei-me numa encruzilhada. Que decisão tomar? Senti-me arrependido de uma decisão tomada há algumas semanas. Ontem tudo se resolveu.
Aqui fica um excerto das conversas com Deus, no intermezzo...

Como orar? O que pedir? Peço em função da tua glória? E de que serve um servo aniquilado pela tristeza e pelo nervosismo? Tenho medo da tua resposta, anseio pela Tua vontade ser igual à minha.
Quero ser utilizado por ti, mas não aqui. Quero que tenhas misericórdia deste teu servo, que me perdoes o lapsus linguae e que me permitas, desta vez, voltar atrás.
Sei que posso vir a arrepender-me disto no futuro. Ainda hoje ou já amanhã!
Quero estar mais perto de ti, quero crescer ao pé de ti, quero sair daqui e ser utilizado por Ti, Senhor.
Sei que posso estar a fazer uma tempestade num copo de água, os meus sentimentos são prova de que não confio totalmente em ti, não quero comprar, e sei que não posso, a tua resposta com lágrimas. Mas, lembro-me de um outro Tiago, que diz que nada tendes porque nada pedis, lembro-me de Jesus dizendo que se tivesse fé até os montes andariam…
Quero ter essa fé, aqui e agora. Peço-te que me tires daqui, que perdoes a audácia de tomar a minha vida nas minhas mãos, que me perdoes o sim dado há 3 semanas.
Leva-me de volta à churrasqueira ou a outro lugar, mas tira o meu corpo, e a minha mente deste local.
Li Salomão e sinto-me como ele. Não quero ganhar rios de dinheiro se ficar doido, extenuado, longe de ti e de todos. Sei que não levarei este barco a bom porto.
Leva-me Tu, Pai, a outro porto.
Confio em Ti,
Embora espere uma determinada resposta, e por isso peço perdão.
Teu filho
publicado por wherewego às 09:58

No dia em que você compreender uma alma feminina, desconfie do sexo dela…
in Cury, Augusto - A vida de um pensador
publicado por wherewego às 09:56

13.10.06
Dois Youtubes num só dia parece-me uma loucura, mas pronto.
aqui fica a minha homenagem a este dia "assustador".
Não deixa de ser, um pouco (cada um acrescente ou retire ao seu bel-prazer), ridículo.
Cuidado, pode ser um tanto ou quanto gore para algumas mentes e corações.

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publicado por wherewego às 12:54

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