18.11.08
"Tirou uma camisola da mala e enfiou-a pela cabeça. Por um minuto, viu só a escuridão da lã e, depois da cabeça lhe sair pelo decote, reparou que estava a ser contemplada. Corou: fazia parte da intimidade do casamento que aquelas pequenas coisas fossem observadas - vestir-se e despir-se, olhar-se ao espelho, fazer gestos inconscientes... o fim da intimidade pessoal.
(...)
Ela olhou-o. Uma das coisas mais surpreendentes em tudo aquilo era a pura alteridade, pensou. ele é outra pessoa: não sou eu. E há um pedacinho dele, do que faz dele aquilo que é, que nunca conhecerei, nunca alcançarei. Algo para o qual não tenho uma palavra. A alma? Não. Bom, talvez. Isso, seja lá o que for, nunca será meu. E se lhe pedisse que me contasse qualquer segredo?, nenhum em especial, só um que nunca tivesse contado a ninguém, nunca. Todos nós temos um, pelo menos. Pelo menos, um segredo. Sorriu àquele pensamento. E que lhe contaria, se lhe pedisse o mesmo? O que tinha feito ou pensado: o que gostaria de fazer ou pensar, se se permitisse tal coisa?"

in Angus de Alexander McCall Smith (Teorema - Colecção Mitos)
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publicado por wherewego às 13:15

17.11.08

Parece que fazemos 3 meses hoje.
Ela ainda não se fartou.
Shmily, Prinçusa.
publicado por wherewego às 20:16

Pela primeira vez escrevo a partir do ISCTE.
Trouxe o portátil para a escola.
No meio do burburinho ruminante da hora de almoço.
Às 15h30 encontro-me com o meu grupo para preparar o trabalho de Publicidade e Marketing.



Rute: O filme de vampiros ficou em águas de bacalhau. Ainda só o começara a (re)ver.
Para que conste é o (excelente - na minha modesta opinião) 30 Days of Night.
Mas sábado foi mesmo dia (noite) de filme asiático. As saudades que eu já tinha. E podia ter sido mais cedo, mas não tive "pica" para ver o Breaking News (de Johnnie To), na 5ª Fª. Esta semana pode ser que tenha tempo e feeling.


O Terra não gostou, achou previsível, do REC. Não tivemos tempo para discutir. Ora, na minha modesta opinão, há poucos filmes de terror verdadeiramente imprevisíveis. De momento só me lembro do excelente The Mist, com Thomas Jane.
Aquilo em que REC é mestre é na capacidade de nos assustar, na adrenalina e sensação de claustrofibia. REC é previsível? Admito que sim. Mas mesmo assim é melhor do que 4 ou 5 filmes de terror americanos juntos. Mas REC ganha mais se for visto no conjunto da obra de Balagueró. Se virmos Os Sem Nome antes, REC ganha maior consistência e sentido.
De qualquer modo, entre cinema de terror asiático e espanhol, venha o diabo e escolha. O terror nestas terras está bem de saúde e recomenda-se. De terras do Tio Sam há muito tempo que não vejo nada verdadeiramente estimulante. Mas fica prometido, rapaz, a seguir escolho-te um ou dois dos meus favoritos, via ásia.
publicado por wherewego às 13:50

15.11.08

Ontem à noite vi-me sozinho.

O que é sempre uma boa oportunidade para ver um daqueles filmes que seria tortura para ela.

Escolho Wong Kar-Wai (de que ainda só tinha visto Disponível para Amar) e vejo Dias Selvagens.


Dias Selvagens é um filme parecido (no que à realização diz respeito) a Disponível para Amar. Há, inclusive, sets extremamente parecidos, e a entrada em cena, no fim, de Tony Leung é a cereja em cima do bolo.


Há outras marcas típicas, o existencialismo que prende e paralisa as personagens, a forma sui generis de realizar, o andamento lento, mas seguro, e os comentários pessoais de algumas personagens.

O que para algumas pessoas será um filme chato, mais do que os de Manoel de Oliveira, para outros é uma pérola. Ainda que tenha gostado mais de Disponível para Amar, também gostei deste, e a vontade de ver o resto da cinematografia está mais cristalizada.




A História




Leslie Cheung é York, um homem fechado em si, que tenta, a todo o custo, que a mãe adoptiva lhe diga quem é a sua mãe real. Algo que ela sempre foge. York vive no meio de mulheres, gosta de ser o centro delas. Não há aqui amor, mas uma noção narcísica, antes. Já que acaba por as trair, vez após vez.

So Lai-Chun (Maggie Chueng), apercebe-se disto, que York só gosta dele mesmo e acaba por fugir dele, e esquecê-lo (tentar). Inicia uma relação platónica, que nunca se irá concretizar, com um polícia (Andy Lau).

York continua a sua senda pelo universo feminino, e inicia uma relação com Mimi. Também esta será terminada, mas terá que resolver a atração que um amigo de York (Jacky Cheung) sente por ela.




Pontos de interesse:



Qual é o objectivo do filme? Não me parece que haja outro que não o de mostrar o existencialismo de uma forma cinzenta. O que comanda o filme são as emoções humanas, as lógicas e as menos lógicas.

Não há finais felizes, cor-de-rosa. Não há moralismos. O fim de York é comandado por uma mulher, o que não deixa de ser irónico, já que ele acaba por fugir delas ao longo de todo o filme, perseguindo só a sua verdadeira mãe.

E este poderá ser um dos maiores problemas para alguns dos espectadores. Kar-Wai não é comercial, antes doloroso, mastigado e negro.

Mas Dias Selvagens lembra-me um outro aspecto, a arte de contar uma história. Hollywood sabe contar histórias, infelizmente, muitas vezes, ficam para segundo plano.

Dias Selvagens faz o contrário, não sem um certo esforço por parte do espectador.

Mas não estou a dizer que conta a história de uma forma sequencial, lógica, ordenada, estruturada. Paradoxalmente, o que conta menos aqui é a história, mas antes os sentimentos, as dúvidas dos personagens, mas essencialmente do espectador. Antes de contar uma história é um exercício de montagem, que é exigido a quem o vê.


Outro aspecto a salientar é a forma como os actores se portam. O realizador optou por agarrar em actores conhecidos, com uma certa escola de representação, e fá-los esquecer todos os hábitos e conceitos interiorizados. O filme é nu, cru, e despido de formalismos técnicos que não os da realização e das escolhas dos ângulos. O que merece o aplauso, dirigido, primeiramente, ao realizador, mas também aos actores.


Há outros aspectos a ter em conta, a luz, por exemplo; o temática de tempo, presente na obra; as dificuldades em escolher e os martírios da escolha; o erotismo velado, sem que haja uma única cena de sexo ou mais erótica.


Concluindo, gostei, menos do que a experiência anterior. E considero que não será para todos. De qualquer modo, um filme extremamente interessante. Para quem não gosta de Kar-Wai, esqueçam...

publicado por wherewego às 11:01

10h30 da manhã. Um sábado solarengo.
Vou vigiar Resistência de Materiais II.
Até já, então.
publicado por wherewego às 10:56

14.11.08
A música entra-lhe no espírito. A letra, o compasso, a alegria.
Tudo o contagia. Bate as palmas, olhando para a estrada.
O carro derrapa um pouco, a alegria torna-se em susto, as mãos não conseguem suster o volante.
Estampa-se contra uma parede. Ileso.
Ileso? O ego, não.
publicado por wherewego às 17:56

Dizem que os olhos são a janela da alma.
Não sei se serão, provavelmente por descuido e impossibilidade de analisar as almas.
Mas há olhos que nos prendem. Pela forma como enquadram um rosto, pela tristeza ou felicidade que deles emana, pela timidez ou coragem, porque sem olhos seríamos bem menos expressivos.
E lembro-me dela, a entrar na sala, num passo tímido, com os olhos em baixo.
Dela à procura de uma cara conhecida, em vão.
E enquanto ela percorria a sala, os meus olhos tentavam percorrer os seus, ciente de que não me via.
Via o nariz pequeno, bem desenhado, o cabelo castanho, pelo ombro, o vestido justo ao corpo, mas não demasiado justo, e a timidez, que de tão grande a vestia segunda vez.
Ela olhou-me, nos olhos, um segundo, menos que isso. Sentou-se numa das cadeiras, e ali ficou.
Numa folha de papel somos que quisermos, como quisermos. Num conto somos valentes e corajosos. Na vida real, na vida real temos medo do outro.
Fiquei mais algum tempo ali. Olhando para ela, de costas para mim. Imaginando aquilo que poderia ver, se quisesse. Os olhos dela.
Saí, e voltei a casa.
Num conto podemos inventar futuros, realidades, possibilidades. Na vida real amaldiçoamos a cobardia, e os momentos que deixamos passar.
publicado por wherewego às 14:41

13.11.08
Crio asas

com a possibilidade



de voar

de cair



lá de cima

num ímpeto, como fogo fátuo

apagado



pela areia

pela água

pela força da realidade de outra natureza que não a minha.
publicado por wherewego às 12:04

Temeu o Sol Ícaro?
Ou terá Ícaro ignorado o Sol?
Ou a culpa terá sido das asas?
da natureza humana ignorando a força da natureza?
Uma e outra diferentes,
as naturezas.
Será o que conseguires entender:
publicado por wherewego às 12:02

Como Ícaro quero fugir
ir além do presente, voar acima do
pó...
Como o Sol teme o humano
queimando a alma do falso pássaro
transformando em cinza a falsa ave.
publicado por wherewego às 11:59

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