11.03.09
A bem da verdade, Sócrates percorreu um longo caminho desde a sua presença no Governo de Guterres.
Não concordo com todas as opções, ou com poucas, se quiserem, muito menos com o estilo.
Comparam-nos muitas vezes, Sócrates e o estilo, a Cavaco. Só o tempo o dirá, mas parece-me que Cavaco era mais assertivo, mais confiante, mais teimoso. Não vejo Sócrates a comer um bolo rei, ou a aceitar uma buzinadela na Ponte 25 de Abril. E não consigo ver a comparação com os protestos dos professores.
Do que me lembro, afinal tudo acaba por ser uma questão de memória, Cavaco era mais solidário com os seus ministros e falava mais, era ele que dava a cara, coisa que Sócrates, por vezes, bem ou mal, evita.
Uma das coisas que mais me irrita em Sócrates é a diarreia verbal sem consistência. Rejubila-se por ir duas vezes ao Parlamento, mas raras são as vezes em que responde ao que lhe é perguntado, muitas das vezes faz campanha pura e dura, nas restantes distorce e foge da pergunta e fala do que quer. Outra coisa que me irrita solenemente, acto demasiado português, é o responder sempre voltando ao passado,infelizmente só com fins acusativos, e poucas vezes com a intenção de dar um passo em frente. Critica o PSD, Paulo Portas, o BE, o PCP, enfim, fá-lo com a lógica de mostrar que é diferente, muitas vezes mostrando, paradoxalmente ou não, que é igual aos outros.
Este longo texto nasceu ontem de uma ideia.
Lembrei-me de Vale e Azevedo, não pelas trafulhices e enganos mil, mas pela unanimidade. Lembro-me de uma AG, em que houve violência, mas ainda assim unanimidade. Vale e Azevedo era uma vítima, todos estavam do lado dele.
Sócrates está feliz, o PS é ele e pouco mais. Toda a gente está do lado dele, malhando à direita e à esquerda.
A Comunicação Social, mesmo com as campanhas negras, tem sido benevolente com o nosso PM, bem mais do que com os Governos e Governantes anteriores.
Até quando?
Deverá ser por mais quatro anos. Duvido que não chegue à maioria absoluta. Como? Porquê?
Sócrates secou tudo à sua volta, com ou sem ajuda. Estou a pensar nos tiros nos pés do PSD. As pessoas preferem votar no diabo que conhecem...
Por outro lado, os portugueses, historicamente, socialmente, psicologicamente, tendem a ficar sentados à espera de um salvador. Somos gente de fé, em Dom Sebastião, no 5º Império, mas deixámos a acção para outros. A ideia de que os governantes são todos uns chulos, toldou-nos a mente. Nós trabalhamos, eles roubam. Nós votamos neles, cada vez menos, eles servem-se dos tachos. Tudo isto para quê? Estamos consignados à sorte que nos calhar, e quanto menos fizermos para mudar iso melhor. A culpa será sempre deles.
Porque no fim, a culpa é sempre nossa.
publicado por wherewego às 15:13

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