04.01.06
O título duma das notícias num dos telejornais é "60% de copianço no ensino superior", ou qualquer coisa parecida.
Finalmente descobrimos como 60% entra e sai da faculdade.
Copiando...
60% é um número alto, demasiado alto penso eu, mas olhando para o passado recente admito que esteja pronto da realidade.
No entanto, acho que não devemos tirar ilações demasiado directas. Copiar o quê? Como? Em que circunstâncias? Em que disciplinas?
Moralmente, se é que ainda podemos falar assim, e futuramente em termos profissionais é de lamentar, mas devemos tentar colocar alguns aspectos à sua devida luz.
Há cadeiras, e espero que o Tratado de Bolonha ajude a exterminar algumas delas, em certos (todos?) que nada fazem ou trazem em benefício do aluno. Servem para empregar alguns doutorados ou mestrados que de outro modo teriam algumas dificuldades em achar emprego.
Não digo que seja mais lícito copiar nestas do que noutras, mas há cadeiras qué não lembram ao diabo. E quem diz cadeiras, diz professores. Eu costumava dizer acerca duma professora de Literatura Portuguesa que "Para aulas de trampa, testes de trampa", infelizmente nem todos se guiam pela mesma bitola.
Havia um professor que dava aulas no meu curso que se gabava de passar 2 ou 3 alunos por ano, e com notas miseráveis. Aqui, mesmo copiando não nos leva a lado nenhum.
Depois há aquelas cadeiras, e eu tive bastantes, em que o copiar não adianta. É o discurso, a organização do pensamento e a capacidade de argumentação que nos valem a classificação, e não a informação em si. Houve alguns casos em que alunos diferentes, com a mesma informação tiveram notas bastante díspares.
Copiar acaba por ser uma ciência. É preciso saber copiar, é preciso saber pensar o que copiamos. É óbvio que esta verdade não é igual para todos os cursos, mas normalmente trancrever o que achamos que está correcto nem sempre nos leva a bom porto. Ou quase nunca.
Temos 60% de copianço no Ensino Superior? Quantos passam? Desta percentagem quantos copiam sem o conhecimento do professor? Eu tive um professor que saia das aulas aquando dos testes!!!
60% de copianço. Qual a novidade?
Seria bem mais interessante abolir o copianço, elevando de um estatuto marginal os testes com consulta, não para chumbar mais gente, como normalmente são designados, mas para identificar os alunos que sabem pensar o que lhes é ensinado.
publicado por wherewego às 22:42

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