07.12.07

A minha colecção de cinem asiático continua a crescer. Esta semana chegaram mais dois filmes, filmados em Hong Kong por John Woo.
O que não deixa de ser interessante, visto que os filmes americanos de John Woo pouco me dizem. Mesmo assim, arrisquei e comprei Bullet in the Head e Hard Boiled. Ambos com Tony Leung, sendo que no segundo, há a presença importante de Yun-Fat Chow.
Ambos são filmes de acção non-stop, com muitos tiros, explosões, mortos para dar e vender e efeitos especiais. Por esta amostra percebe-se porque Woo foi para Hollywood. Se está a ser bem sucedido, é outra questão.
No entanto, há algo que distingue os dois filmes. Enquanto Hard Boiled é um filme de pipocas (partindo do princípio que os espectadores chineses também as comem), com pouco conteúdo e muita acção, Bullet in the Head é um dos melhores filmes que já vi.
Woo realizou em filme em 1990, e conta a história de 3 amigos de Hong Kong, no final da década de 60, aquando da violência para a entrega de Hong Kong à China. Os três amigos envolvem-se em zaragatas, rixas e lutas de rua, e numa delas matam o líder de um dos gangs locais. Tendo de fugir, fazem-no para o Vietnam, palco de guerra, com o intuito de ganhar dinheiro com vários negócios ilegítimos. Aqui junta-se mais um elemento ao grupo, e as coisas começam a dar para o torto com o aparecimento de uma caixa com ouro. A amizade vai ser posta à prova pelo desejo de riqueza.
Bullet in the Head tem tudo, desde humor a violência, passando pelo drama e acabando nos efeitos especiais.
Muitos críticos têm-no comparado a The Deer Hunter de Michael Cimino. Pela temática, pela filmagem e pela banda sonora comparo-o a Era uma Vez na América. Confesso que inicialmente foi a banda sonora que me reportou para o filme de Leone, mas a forma como está realizado, ainda que diferente de Leone reporta-nos, de vez em quando, para o canto do cisne do italiano. Óbvio que a violência num e noutro têm graus e form(ul)as diferentes e a interpretação da narrativa é mais subjectiva em Leone, mas a importância dada à nostalgia ou a nostalgia presente em algumas cenas, o foco dado ao relacionamento, o melodrama de várias cenas fazem-me lembrar Leone.
É um grande, grande filme. Um enorme pontapé no estômago, e uma prova (mais uma) de que há mais cinema para lá de Hollywood. É um filme que nos mais empurrando de estado de espírito para estado de espírito, que nos põe à prova e que mostra o que é a amizade.
Um dos melhores filmes que já vi, e um dos top 10 da minha colecção pessoal.
9/10
Quanto a Hard Boiled... é o John Woo que conhecemos dos filmes de Hollywood. Porrada, explosões, violência e muitos vidros partidos num filme sobre traição e violência.
Para quem gosta do tipo, será melhor do que muitos produtos americanos do género, mas depois de ter visto no dia anterior o Bullet, fiquei com a retina a saber a pouco. Falta o conteúdo para dar corpo à forma.
6/10
publicado por wherewego às 10:43

28.11.07

Confesso que me senti ludibriado assim que vi as primeiras cenas do filme. Tinha-o comprado por ser protagonizado por Tony Leung e David Morse (o polícia sacana que faz a vida de House, na 3ª série, num verdadeiro inferno). David Morse anda por lá, verdade seja dita que Tony Leung também. Mas há mais Marias na terra. E o TL que eu esperava não é o mesmo. Quem se lembraria que existem dois actores de sucesso, em Hong Kong, com o mesmo nome?

Mas, depois do trauma inicial, o visionamento compensou, em larga medida, a compra do DVD.

Double Vision (Shuang Tong) é quase um episódio chinês, com ácidos, de Ficheiros Secretos.
Numa frase, o filme incide sobre a investigação de vários crimes, por dois detectives, um chinês e um americano, enviado pelo FBI para ajudar na descoberta do criminoso.
O problema? É que os crimes não parecem ser obra de um ser humano.
Huang Huo-to (Tony Leung Ka Fai) é um polícia deprimido, que está com inúmeras dificuldades no relacionamento com os colegas, por ter testemunhado contra a corrupção dentro da sua força policial. Há anos que não vai a casa, a sua esposa está a ultimar o divórcio e a sua filha não fala, descobrimos a razão lá mais para a frente.
É então que se dão três assassínios, estranhos, no mínimo. Mortes que não parecem ter nada em comum, a não ser dois factos. Descobre-se em todas as vítimas um fungo, e as provas indicam que morreram num estado alucinatório.
Um homem de negócios morreu, no seu escritório, sentado na cadeira, afogado, uma mulher morreu queimada, numa casa incólume e descobre-se um corpo, numa carrinha, morto por esfaqueamento.
Incapacitados para resolver o caso, chama-se um profiler americano, desconhecedor da mentalidade e cultura chinesas, mas apostado em resolver o caso com os seus conhecimentos de criminologia.

O elenco é sólido. Tony Leung é perfeito no seu papel, e David Morse não o deixa desamparado, no papel de americano duro, mas simpático, descrente, mas profissional.
E a realização não deixa ninguém envergonhado, muito menos os chineses que querem triunfar em Hollywood.

Double Vision é um thriller muito interessante, que junta o misticismo/religiosidade asiáticos ao bom policial, num filme negro, construído em crescendo e que tem por trás uma mensagem poderosa.

A ver, com atenção.

7.5/10
publicado por wherewego às 10:22

23.11.07

O prometido é devido. Acrescentei mais um título à minha colecção crescente de cinema asiático. Desta vez, um filme de 2006, proveniente de Hong Kong, chamado Confessio of Pain.
Tem num dos papéis principais o excelente Tony Leung (actor de Infiltrados, 2046 e Chungking Express - os últimos dois de Kar Wai Wong - para dar alguns, poucos, exemplos).
Ó filme versa sobre uma investigação criminal e a relação entre dois polícias, o detective Hei (Leung), e um ex-polícia e detective, Bong, antigo colega do primeiro, que se tornou alcoólico e deixxou a polícia depois da sua namorada se ter suicidado.
Bong é, três anos mais tarde da morte desta, contratado pela mulher de Hei para descobrir o assassino do pai dela.
O filme revela, quase no início, a identidade do assassino, e por isso pode perder algum interesse para alguns dos espectadores. No entanto, o mais interessante é descobrir as razões do homicídio, ver o relacionamento entre os dois ex-colegas e a forma como os dois aspectos se vão interligando.
É um filme sobre amor, vingança e dor. A dor do título incide sobre os dois personagens principais, mas é ela mesma a linha fundamental da narrativa.
Um filme interessante que, pelo menos a mim, me agradou.
Os direitos para Hollywood já foram adquiridos, pela companhia de di Caprio, e o argumento ficará a cargo do mesmo argumentista de The Departed.
7/10
publicado por wherewego às 11:05

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