15.12.10

 

A arte não é bem a minha praia, tipicamente independente, mas com um toque de manga. Perco-me várias vezes porque há diferentes personagens que me parecem iguais.

A história é, aparentemente, simples de contar. Scott tem 23 anos, namora com uma miúda do secundário (Knives, de 17 anos) e mora com um amigo gay, numa casa de uma assoalhada, como a casa é pequena dormem os dois na mesma cama.

Um dia, Scott apaixona-se por Ramona, começa então a receber cartas dos ex-namorados de Ramona, para poder namorar com Ramona terá de vencer os 7 ex-namorados maléficos.

Junte-se a tudo isto um pouco de Kung Fu chunga e um sentido de humor doentio, non-sense e infantilóide e temos uma das séries mais viciantes dos últimos tempos.

Comprei ontem os dois primeiros volumes e pode ser que a época natalícia nos leve ao cinema, para ver a adaptação.

Porque é que Scott Pilgrim me agarrou? Pelo sentido de humor, há piadas ao longo de todas as páginas, umas mais escatológicas, outras mais non sense, mas a forma como vence o segundo namorado maléfico é genial, o quadradinho acima enuncia outra fórmula usada, em vez de contar o que se passou, os personagens simplesmente remetem-nos para livros passados, ou mesmo futuros.

Por outro lado, no meio do universo criado, que é tão familiar como estranho, (por exemplo, sempre que Scott vence um dos ex-namorados, estes esfumam-se e ficam em seu lugar algumas moedas - até agora, muito pouco dinheiro; outro exemplo é a familiaridade das lutas para os outros personagens, estão todos à espera, sabem todos que golpes especiais vão ser usados) há uma espécie de descrição realista de uma certa realidade, já vimos estes personagens em outro livros, filmes, séries, mas ainda assim estes são únicos.

Scott Pilgrim já me agarrou.

 

 

 

publicado por wherewego às 10:40

14.12.10

 

Sinceramente? Não, temo a noite de hoje e o primeiro debate das presidenciais.

publicado por wherewego às 13:45

Não sei se muitos pensarão em D. Sebastião, num dia como este. Da janela do meu gabinete, vejo uma névoa branca, que molda toda a paisagem.

Como terão ligado o nevoeiro com D. Sebastião? Porque não num dia de sol ou de chuva, por que é que ele há-de voltar num dia branco?

O nevoeiro faz-me lembrar num livro de João Aguiar, que termina com os Romanos a passarem por um rio, lá em cima no Norte, a idade não perdoa, não me lembro nem do nome do livro, nem se na passagem existe nevoeiro ou não. Mas os Romanos ultrapassaram o medo do desconhecido, dizia-se que passar o rio limpava a memória.

Duas atitudes distintas, entre o esperar por um salvador morto em desgraça ou dar o passo decisivo para o futuro. Assim como nós, portugueses, estamos hoje.

publicado por wherewego às 12:30

13.12.10

Filmes ou livros? Será assim uma escolha tão complicada?

Deixem-se usar a minha cultura televisiva para tentar responder.

Prefiro a Teresa Sampaio à Maria João Rosa.

Quem não apanhar, que veja tv.

publicado por wherewego às 16:02

Trabalhar é chato, mas descansar é mais, a sério. Um tipo esfalfa-se durante a semana; às vezes, tem de fazer horas extras, anda cansado, pode refilar ou não da sua sorte, mas quando menos espera apanha-se em casa, sem nada para fazer. Quando isto acontece, esqueleto no sofá, televisão ligada e comando quase a deitar fumo.

Ontem, à tarde, era assim o cenário lá na barraca. Estava na horizontal, fazendo zapping, e digo-vos, ou os tipos que fazem a programação de fim-de-semana são mentecaptos, vão passar o fim-de-semana fora com a família ou pelo menos dão-se ao luxo de ter a tv desligada.

Passei pelo Canal Hollywood, estava a dar o Knight´s Tale, com o gajo que fez de Joker. Que estupidez pegada, um campeonato mundial de cavaleiros, com rockalhadas de 2ª a servir de banda sonora. O personagem principal apaixonado por uma princesa sem sal, de rastas. Mudei de canal quando o tipo vai visitar o pai, cego (que o entregou na infância a um cavaleiro, para ver se este fazia alguma coisa dele) e um cavaleiro rival o vê por lá e desconfia das raízes plebeias do adversário. Que saudades do Tirésias...

Passo pela TVI que diz que O Amor Acontece, nomeadamente entre uma criada portuguesa em França, menos poliglota que Sócrates (foi aqui que me perderam), que se apaixona pelo patrão inglês. Bonito, bonito é perceber a publicidade velada aos cursos de línguas em MP3. A sinopse dizia que não era um filme, eram dez filmes sobre o amor. Não consigo perceber a veleidade da descrição, não há ali uma ideia interessante, um plano que valha a pena, dez filmes? Não há ali um, umzinho!!!

Um gajo dá a pensar em si na falta que lhe faz o trabalho, que amanhã já tem alguma coisa que fazer e quando se apanha no trabalho lembra-se de escrever um post, no blog acabado de inaugurar.

Aceitam-se propostas de psicanalistas não freudianos para consultar. Não gosto de freudianos, porquê? Isso pode ficar para outra altura.

publicado por wherewego às 15:18

Where We Go parece-me um bom título, transmite uma ideia forte, a de que não devemos ficar parados (isto vindo de um gajo que tem o rabo dormente ao escrever estas linhas, ainda que a dormência possa ser da qualidade da cadeira), mas acima de tudo permite uma quantidade de leituras e vários tipos de leitores. Venham os filósofos, venham os amantes de viagens, venham os anglófilos e os anti-anglófilos, venham os devassadores da vida alheia, venham os políticos e politólogos, venham todos ou não venham nenhuns.

Voltar à blogosfera é um teste, nomeadamente ao meu tempo livre, já passei por ela demasiadas horas e linhas incontáveis (claro que são contáveis, mas tenho mais do que fazer, pelo menos por enquanto). Já tive um, dois, três, sei lá, alguns blogs, uns duraram tão pouco tempo que se podem considerar nado mortos, outros duraram anos ou ainda duram.

Ter um blog novo, a solo, numa plataforma que desconheço, não sei para onde vou, se é que vou para algum lugar, não sei se direi alguma coisa de novo ou mesmo se direi, ponto, mas parece-me um bom ponto de partida. Se vou ou vamos a algum lado, o tempo o dirá, esse não para.

publicado por wherewego às 15:07

07.10.10
Quem me conhece bem sabe como sou despistado. Há por aqui um café onde já fui buscar chapéus, carteira, telemóveis, livros, revistas, etc. De momento estou sem telemóvel, onde está? Não sei, em local ignoto.

Daí que quando começa a chover me lembro dos chapéus de chuva, que não uso para aí desde os 14/15 anos, chapéus que tinha, em média, menos de uma semana na minha posse. Ficavam no autocarro, na sala de aulas, no café, no recreio, sei lá, ficavam por onde quer que parasse.
A verdade é que quando mudei para o Seixal deixei de usar chapéus de chuva, o que pode ser estranho, já que foi a altura em que comecei a ir a pé para a escola. Molhas? Algumas. Constipações? Nem vê-las.
E o hábito tornou-se realidade. Não gosto de chapéus, não lhes dou uso e gosto tanto, tanto de sentir a chuva.
Manias, enfim.
publicado por wherewego às 14:39

21.07.10
Há coisas que me irritam solenemente. Demoraria muito tempo a enumerá-las, muito por culpa da fraca memória. Fiquemo-nos por uma. Há um produto qualquer (livro, filme, álbum, etc) que tem sucesso. Os autores de outros produtos similares, ou nem tanto, são logo apelidados como o próximo qualquer coisa.
Andava agora a ver se comprava para as férias o livro de Jo Nesbo que me falta. Uma das capas que vi na Amazon, dizia "O próximo Stieg Larson". Porquê? Porque é nórdico? Estamos a comparar dois autores de talento, mas completamente diferentes. Ok, os livros de ambos têm um ritmo alucinante, há violência a rodos, normalmente, mas não só, contra mulheres. Mas só...
Eu não preciso que me vendam Nesbo, mas quando o comparam com Larson a única vontade que tenho é de bater na mente iluminada que se lembrou disso.
publicado por wherewego às 16:27

20.07.10
E quando um livro foge daquilo que esperamos? E então?
Pelo que lera e me tinham dito esperava que O Caso Jane Eyre de Jasper Fforde fosse mais situado na trama do que é, o que convenhamos não é mau.
Somos introduzidos a um Reino Unido diferente do que estamos habituados, ou melhor, estamos num universo alternativo, em que algumas coisas se parecem com o que conhecemos e outras não. A guerra da Crimeia, por exemplo, ainda subsiste e tem papel importante na acção.
Há um sem número de Departamentos dentro da Rede de Operações Especiais, sendo que desconhecemos o que faz a maior parte deles. Quinta-Feira Seguinte é a heroína, pertence ao OE - 27 (Detectives Literários) e vai tentar impedir que o livro de Jane Eyre seja reescrito como o conhecemos.

É esta, sumariamente, a trama, sumariamente e de uma forma bacoca e simples. Muito mais acontece, gente que viaja no tempo, traças que criam coisas ou ajudam pessoas a entrar em livros.

Há pouco escrevia no Facebook que não sabia se tinha gostado muito ou pouco, sei que gostei, talvez porque por uma das descrições tivesse imaginado algo completamente diferente e porque estou à espera de ler os seguintes para formar uma opinião mais coerente.

Aquilo que fica por enquanto é o amor pela literatura e o gosto de imaginar a história e os finais de algumas obras. A oportunidade de discutir a literatura, amarrada quase por completo (a discussão) nas salas de aulas das universidades. A incompreensão pelo final  (as opções do autor) de determinada obra e a oportunidade de o leitor ir reescrevendo a seu bel-prazer aquilo que lê.
publicado por wherewego às 16:31

02.07.10
Há imensas formas de começar um texto. Alguns exemplos.

Vejo futebol cada vez menos. Sem vontade de pagar 25 Euros mensais por um pack de canais desportivos, quedo-me pelos jogos que vão dando na televisão pública. As arbitragens não ajudam, as fracas prestações do meu clube o ano passado também não. 

Vejo cada vez mais futebol, mas futebol americano. Sim, a transmissão chega a demorar mais de três horas, mas normalmente gravo e vejo os jogos depois. Parece-me um jogo mais justo, há câmaras, há repetições, mas não são feitas a eito. Há contacto físico, os tipos chocam uns contra os outros, mas continuam de pé, alguns. Fartei-me de ver gente caída no chão depois de um sopro à espera que o árbitro mostre um cartão.

Desconfio de treinadores que têm como primeiro nome o título de Professor. Fiquem vocês com o Professor Queiroz e o Professor Jesualdo. Gente que fala muito, característica própria de um professor (sei por experiência própria), mas que falha no momento de acertar. Gente que em vez de ter jogadores para determinada posição faz adaptações,  de repente e ostracizam aqueles que falham. Gente que parece que só teve aulas de defesa, o objectivo das suas equipas é não sofrer, ou sofrer poucos, golos. Esquecem-se que o jogo ganha-se marcando golos. Gente que quando acerta, esquece.

Não gostava de Scolari, perdão, não gosto de Scolari. Como também não gosto de Queiroz. E evito fazer comparações. Queiroz foi para a África do Sul querendo imitar Mourinho, coitado. Defendeu-se em todos os jogos, menos contra a Coreia do Sul. Portugal fez um dos melhores jogos dos últimos 4/5 anos. Podem dizer que a Coreia era uma equipa fraca, concordo, mas jogámos contra outras equipas fracas, nesse período,  e não fizemos nada parecido.
Empatámos (não em termos de resultado, mas em termos exibicionais) contra a Coreia, contra o Brasil e afogámo-nos contra a Espanha, porque simplesmente não jogámos à bola. Um treinador que se gaba de ter treinado Ronaldo dia e noite, durante três ou quatro anos, devia saber onde, como e de que forma ele rende mais. Mas não! Um treinador devia levar e meter um trinco, não o Pepe, com seis meses de paragem e que é, para mim, um central interessante, mas um trinco fraquinho.

Queiroz gaba-se de ter perdido por um só golo contra a Espanha. Um treinador que diz isto, com a equipa que tem e jogando como Portugal jogou devia levar uma carga de porrada. Como Jesualdo, fala muito, a sua equipa é sempre a melhor, mas dentro de campo acobarda-se, tem medo, não joga nada.

A vitória contra a Coreia foi a única coisa positiva deste Portugal. Mas nem na vitória Queiroz soube aproveitar a equipa. Inventou contra o Brasil, continuou a senda contra a Espanha.
Infelizmente, acha que fez um trabalho meritório.
publicado por wherewego às 13:19

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