26.05.10
Spoiler Alert

O texto que se segue pode desvendar alguns dos mistérios ou factos que aconteceram ao longo das séries, se te queres guardar para ver tudo sem saber parte da verdade, não leias.

Spoiler Alert

Lost terminou no Domingo, ou na madrugada de 2ª Feira, como preferirem e dependendo do país em que viram este último episódio.

Em primeiro lugar, quero explicar o meu relacionamento com a série. Tornei-me fã na primeira season da série, perdi um pouco o interesse na segunda e deixei de a ver ao 6 episódio da 3ª. Vi um resumo da 3ª season e recomecei a ver a série ao 5 episódio da 4ª e de lá para cá não deixei de a seguir fielmente. A razão do semi-abandono foi a sensação da série não avançar, durante alguns episódios achava que somente os últimos 5 minutos da série interessavam realmente.

No entanto, os produtores nunca mentiram, para eles, e para nós, quer queiramos ou não, o que interessa, o cerne da questão é a viagem. It's not about the destination, it's about the journey. Miguel Esteves Cardoso, ontem no i, reclamava que Lost era uma história mal contada, consigo perceber a crítica, mas penso que o objectivo da Lost nunca foi contar uma história, foi contar várias, a nossa interpretação do que era a história estava errada, com o último episódio percebemos o tema de Lost e todo o tempo perdido com as histórias pessoais de cada uma das personagens.

Claro que nos podemos queixar das perguntas que ficam sem resposta, mas se por um lado, as questões levantadas ao longo das seasons eram uma maneira de nos obrigar a ver a série, por outro, somos impelidos a encontrar explicações. Lost nunca tentou explicar tudo, talvez por isso, tenha tido sucesso. É irónico que seja uma série de televisão que nos ponha a pensar em questões filosóficas, religiosas, entre outras.
Lost obrigou os fãs a envolverem-se em debates sobre aquilo que tinham visto e fê-lo como poucas o conseguiram ou conseguirão fazer.

Lost trouxe novas formas de contar histórias à televisão, começámos com os flashbacks, passámos para os flashforwards, depois para as viagens no tempo e terminámos com algo que parecia uma realidade alternativa.
Acrescente-se a isto os mistérios, respondidos ou não, os avanços e recuos na história principal, e parece que o maior desafio seria criar a partir de todos estes artifícios um objecto único e coeso. Desafio, para mim, cumprido.

O que é a ilha? O que é a luz amarela? Porque é que a ilha é importante para o resto do mundo/universo? Se for destruída, todo o mundo perece com ela, porquê? Estas são algumas das perguntas não respondidas.
Lost deixa imensas dúvidas, questões não respondidas, mas a viagem dependia delas, foram as questões que nos levaram a ver semana após semana, season após season a série. Depois de ver o último episódio, fica-se com uma noção de conjunto, que agradará mais a uns do que a outros, mas ficamos com a sensação de que aquelas histórias terminaram, mas as questões mantêm-se. Isso é mau? Quantas perguntas não respondidas ou respostas não ideiais deixamos atrás de nós? Conseguimos responder a todas as questões? Quantas considerações vamos criando, quantas realidades, ao longo do nosso percurso. As nossas dúvidas eram as dúvidas das personagens, o problema é que com o final elas recebem mais respostas do que nós.

Lost termina numa igreja, que por acaso tem uma míriade de símbolos religiosos, não necessariamente cristãos, há uma tentativa de colocar ali não uma, mas várias religiões, dando a ideia de que estamos perante o depois da morte, ideia concretizada com os últimos minutos e a última cena na igreja. O final de Lost é a vida eterna, no céu ou não.

“Guys, where are we?”, pergunta Dominic Monaghan ou Charlie no primeiro episódio.
Nunca saberemos concretamente o que era a ilha, pelo menos com base nestas 6 épocas, mas o que ali fizeram, o que ali lhes aconteceu teve um papel preponderante no seu futuro "eterno". A ilha sempre foi um motivo, não um mistério, um motivo para desenvolver a História, um motivo para prender o espectador.
Quando encontramos Jack na igreja todos já estão mortos, já estão no depois da morte. Jack conversa com o seu pai:

Jack: Where are we, Dad?
Christian: This is the place that you all made together so that you could find one another. The most important part of your life was the time you that spent with these people. That’s why all of you are here. Nobody does it alone, Jack. You needed all of them. And they needed you.
Jack: For what?
Christian: To remember. And to let go.
Jack: Kate ... she said we were leaving.
Christian: Not leaving, no. Moving on.

O sub-texto é delicioso, os autores da série estão-nos a dar dois conselhos, Remember and let go e Moving on; mas a mensagem imediata para Jack é que todos estão mortos, noutra frase de Christian a Jack somos informados que alguns morreram antes de Jack, outros depois de Jack.
Todos ou quase todos os personagens tinham "pecados" por expiar, não eram perfeitos. Kate tinha morto a sua melhor amiga, Jack tinha falhado no seu casamento, Sayid não consegue ultrapassar a tortura infligida a prisioneiros de guerra, etc. As personagens que ali se encontram tentam redimir-se (inconscientemente) ou pelo menos têm uma oportunidade última para o fazer e fazem-no em conjunto, com mais ou menos conflitos, com diversos inimigos, de diferentes naturezas - humanos, outros que ali estão há mais tempo e o falso Locke, inimigo (quase) mitológico, inimigo sobrenatural.

No último episódio, mas também ao longo das diferentes seasons, encontramos o perdão como tema, neste último episódio é Ben que pede desculpa a Locke, mas ainda que perdoado, não se sente preparado para estar com os restantes membros.
Percebe-se que muitas das nossas questões (iniciais ou finais), a ilha, o urso, o monstro de fumo, as viagens no tempo foram veículos para explorar a condição humana. Terá sido o purgatório aquilo a que assistimos? Essencialmente assistimos a homens e mulheres viverem uma série de aventuras e desventuras buscando a redenção, baseadas nas realidades da condição humana: vida, morte e vida eterna. Ou o purgatório terá sido a realidade alternativa desta 6ª season? São dúvidas e questões em aberto, que ficam para depois, a edição em dvd traz mais 20 minutos com a promessa de responder a algumas questões.

Lost termina em beleza, criando um final coeso e unificador, ainda que não desvendando todas as questões essenciais para cada um de nós. Lost termina mostrando o valor da amizade, do sacrifício e da unidade.
Quanto a vocês, não sei, mas eu gostei bastante.
publicado por wherewego às 13:26

05.05.10
A todos os que gostaram da minha t-shirt no sábado, procurem aqui.
publicado por wherewego às 13:16

04.05.10
Vou sair agora da Escola, a ler material para um trabalho que também será sobre criatividade. Pelo menos o tema tem-me deixado desperto. Ficava aqui mais uma ou duas horas, estou com pica, mas quedo-me. Espero que a vontade que agora tenho fique suspensa até amanhã.

Abri o site da Bola e vi uma frase do ou sobre o Paulo Bento, com FCPorto em cima, no canto esquerdo. Acho que deve ser a escolha de Pinto da Costa, mas parece-me que será outro Jesualdo (embirra com jogadores, só tem um esquema táctico, fala demais. Se for ele, o que fará ele com Varela? Colocará Rolando à esquerda, ou Fernando? Parece-me que cada vez mais fico órfão do futebol americano, mas esse só começa depois do verão e em Fevereiro termina!!!).

Puseram-me a dar prémios no Sábado, a mim, que pouco jeito tenho para aquelas coisas, a mim que preciso de pensar e preparar discursos. Pelo menos, não implodi com a coisa.

A semana está no início, mas tenho de preparar testes, trabalho e tese para o mestrado, reunião para sábado e já comecei com outras ideias para outros projectos.

Vou-me... até logo.
publicado por wherewego às 03:17

28.04.10
Pombo e Silva, no blog do costume.
publicado por wherewego às 18:29

19.04.10
Mais Pombo e Silva, aqui.
publicado por wherewego às 17:37

13.04.10
Por momentos pensei que o título fosse uma piada a um certo Aníbal português, que aparentemente não lê muita literatura.
Afinal não, o livro é uma lição de como ler, o que ler e de como nos prepararmos para a leitura.
Um jovem acaba num navio em busca de um animal lendário, que lê livros - para sinopse acho que chega.
Gostei, acho que tem mais literatura dentro do que algumas das cadeiras que tive com o autor, na faculdade, mas é somente a minha opinião, e a posição dele aqui é ligeiramente distinta.
De qualquer modo, gostei mais (heresia?!) do posfácio, gostei do estilo, do conteúdo e dos pensamentos do escritor.
publicado por wherewego às 14:21

12.04.10
De há uns tempos para cá, ando a tentar dedicar mais tempo a escrever realmente alguma coisita.
Está disponível no Breves Narrativas, uma pequena brincadeira semi, semi mesmo, policial.  O objectivo é servir somente como intróito, espera-se que apareçam mais aventuras destes dois.
publicado por wherewego às 15:02



Vimos esta semana a versão cinematográfica do filme de Stieg Larsson.
A esposa gostou, eu também. Ela gostou tanto, ou tão pouco, que me fez esticar a coluna em busca do livro na estante, depois de eu lhe dizer que o livro era melhor, ainda que mais forte.
O filme não é mau, mas torna-se difícil dizer algo construído a partir de um livro que gostei tanto. Algumas personagens foram ao ar, mantiveram as centrais. As cenas mais brutais do livro mantêm a sua brutalidade no grande, e pequeno, ecrã. O livro é rápido, voraz, cru, seco e violento. O filme é mais lento, mas igualmente negro, seco, violento.
Lisbeth é mais bonita do que imaginava. Blomkvist é menos belo do que imaginara, o que o leva, supostamente, a vaguear menos por camas alheias. O que no livro é dado como dado adquirido, no filme é subjectivado.
Ainda assim, foram duas hora e meia que valeram a pena.
O filme foi uma oferta de aniversário da Sara, a edição é a edição especial, que deve a sua nomenclatura aparentemente por um único extra, um documentário de cerca de uma hora sobre a criação dos romances. Pouco, muito pouco. Infelizmente.
publicado por wherewego às 12:56

06.04.10
Depois de trocar uns comentários com uma das manas da afilhada/madrinha estou com mais vontade de aprender sueco.
Duvido destas coisas, mas será que isto, isto, isto ou isto me podem dar algumas luzes? Hum.....
publicado por wherewego às 17:12

Nos últimos meses tem sido complicado ler livros que não tenham a ver com a tese. Deruçado sobre pirataria, inovações tecnológicas, novas formas de negócio e musica 2.0, tenho tido dificuldades acrescidas para manter interesse moderado por outras literaturas.
A semana passada levei 8 ou 9 livros (claro!) e consegui ler dois deles.
Recaí novamente na ficção policial nórdica, com The Redbreast de Jo Nesbo e The Stone Cutter de Camilla Lackberg.
Comecemos por este último. Tinha lido e gostado bastante do primeiro livro da série, The Ice Princess. The Stone Cutter volta a ser protagonizado pelo polícia Patrik Hedstrom, agora com uma filha pequena, Maja, fruto do relacionamento com Erica Falck, personagem quase principal de The Ice Princess.
Alguns dos pontos fortes de The Stone Cutter é a descrição da depressão pós-parto e das mudanças que um bebé provoca num lar. Sendo sincero, a grande qualidade de Lackberg neste livro é a descrição psicológica das personagens.
A história resume-se brevemente. Uma criança é encontrada morta, afogada, mas o suposto acidente cedo se revela um crime. A miúda tem água doce nos pulmões, bem como resquícios de cinzas. Hedstrom toma o caso em mãos, aliviado por poder passar algum tempo fora de casa, mas vai-se tornando pessoal, já que a criança é filha de uma amiga de Erica.

O livro aborda um sem número de questões de uma forma extremamente interessante, Síndrome de Asperger, pedofilia, pornografia infantil (estes últimos são abordados, mas não têm papel relevante no caso da menina morta), rivalidades entre vizinhos, patologias várias e conflitos familiares.
Uma pequena cidade, ou um dos bairros, pelo menos, é extremamente bem descrita.

Há uma história parelela que começa em 1923 e que, obviamente, terá efeitos no deslindar do caso.

O livro está muito bem escrito, envolve e mexe com o leitor, as descrições dos pequenos feudos, a psicologia dos diferentes intervenientes incomodam-no e mostram uma rara variedade de disposições mentais na literatura actual. Estamos perante pessoas distintas, que reagem de diferentes formas às mesmas situações.

Infelizmente, não gostei muito do final. Senti-me ligeiramente decepcionado, quiçá pelo negríssimo quadro pintado por Lackberg. Inevitável é a comparação com o outrolivro lido, que me agradou mais.
Outra das razões terá a ver com a história paralela, The Redbreast, de Nesbo, também faz uso da mesma técnica, e interessantemente, ou não, há outras semelhanças entre as duas narrativas, nenhuma ao nível da história.

Em The Redbreast, acompanhamos Harry Hole, polícia de Oslo, com problemas de alcoolismo. O livro tem um sentido de humor negro, fino e cáustico. O livro começa com Harry Hole a ser promovido depois de ter morto alguém erroneamente. A promoção leva-o a monitorizar actividades neo-nazis.
Hole é uma personagem mais negra de Wallander, mais predisposto para cair no vazio, no álcool, sem que se veja, muitas das vezes, luz ao fundo do túnel.
Como dizia atrás, há outra história paralela, que é a de um grupo de soldados noruegueses durante a 2ª Guerra Mundial, lutando lado a lado com a forças alemãs.
The Redbreast trata do passado e presente da Noruega no que à 2ª Guerra Mundial e ao nazismo diz respeito.
Através da sua investigação, Hole depara-se com a compra por parte de um grupo de Neo-nazis de uma arma, uma espingarda  Märklin, que deixa um buraco enorme no corpo atingido. Hole vai tentar descobrir quem comprou a arma e com que intuitos.
NEsbo é um excelente escritor e consegue ao longo das 500 páginas agarrar o leitor, o humor ajuda. A moralidade ambígua é uma das temáticas, directa e indirectamente, tratadas no romance.
As personagens são suficientemente tridimensionais para serem credíveis e como numa boa série de televisão, Nesbo não amarra todas as pontas no final do livro, no futuro haverá consequências para alguns dos actos descritos.
Há vários pontos de contacto com outros escritores e universos escandinavos, lembrei-me de Lackberg (os estilos e a forma são completamente distintos), de Mankell (Nesbo consegue ser mais cruel, negro e cínico), de Stieg Larson (no relacionamento de alguns homens com as mulheres).
O final também me desiludiu um pouco, mas enquanto conjunto é mais interessante e menos murro no estomago que o romance de Lackberg, ainda que haja muitos pontos de contacto entre os criminosos de ambos os livros, e ambos vêm de trás, da história que nos é contada em paralelo.
Resumindo, o livro que se segue na série de Nesbo já está a caminho, Lackberg fica para mais tarde.

Como bónus, carreguem aqui para ouvir o autor a falar sobre o livro.
publicado por wherewego às 16:50

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